sábado, 27 de dezembro de 2008



Das águas tranquilas e correntes. Emergindo do lodo para o sol.

Nas mãos mentirosas. Os rabiscos roubados.

Nas palavras intermitentes. Os regressos anunciados.

E as minhas mãos limpas a falar verdade.

domingo, 14 de dezembro de 2008

NOITE DE LUA CHEIA



Quando só a Lua ilumina o caminho, rumamos ao alto do monte, através da floresta de árvores vivas, que murmuram à nossa passagem, num canto baixo e lento, o primeiro encantamento.
As vestes escuras confundem-se com as sombras e quando a Lua rompe a folhagem, brilham apenas rostos e mãos, muito brancos, e as flores que apertamos ao peito têm o vermelho do sangue coalhado.
Um circulo de pedras nos aguarda, como a nave de uma imensa catedral em ruínas. No meio uma fogueira com aromas de sândalo e canela.
Inesperadamente e a uma só voz começam os cânticos, monocórdicos, roucos, encantatórios, enquanto uma dança milenar, que não sabemos como, nos toma o corpo e nos leva de rodopio em rodopio, até ao extase.
As vozes afinam-se, e os pés mal tocam no chão. Caem os mantos, espalham-se as flores e a Lua ilumina os corpos nus. Braços ao alto, mãos erguidas, rostos dando-se à luz, olhos afogados em visões de outras eras, bocas entreabertas gritando palavras que só o nosso coração conhece.
Depois, a musica soprada pela brisa espalha-se de manso, os cantos vão cessando lentamente, as mãos procuram-se, os corpos encontram-se, as bocas unem-se e, sobre o chão sagrado, atapetado de pétalas desfeitas, o murmúrio das carícias enche o tempo.
A Lua fica mais alta, mais distante.
Pouco a pouco, os corpos saciados, erguem-se brilhantes, recobre-se a nudez languidamente.
A madrugada vai espalhando a claridade cinzenta, voltam a soar os cantos, de mãos dadas na penumbra e através do brilho prateado da floresta, refaz-se o trilho de regresso.
Em noites de Lua cheia... nós as mulheres mágicas, Senhoras do sonho e do prazer, sabemos encontrar o rasto do Amor, que nunca morre, porque se renova em cada uma de nós, peregrinas do Caminho.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

POR TI


Que me despiste a graça de todas as cores da Primavera
Despojaste o meu corpo das cores quentes do Verão
E me cobriste com a tristeza cinzenta do Outono
Visto hoje um longo manto de neve imaculada
Cristais de gelo me enfeitam os cabelos
Ao peito aperto os dedos brancos e frios.
E vagueio assim pela imensidão azul do nada
Como uma rainha sem trono e sem reino.
E o que sei das tuas mãos quentes e doces
Arde-me nos olhos a derreter o choro!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

BLUE ICE


Queria a musica que ouviamos juntas, queria poder ouvi-la, senti-la de novo, mas não posso.
A musica é uma chicotada na verdade que eu gostava que tivesse sido.
Cada som da melodia é golpe de navalha, e o ritmo bate-me nas veias até à dor.
Por isso o silêncio me rodeia e só o silêncio me acalma e me dá à alma o gelo de não lembrar.
Onde estás tu? Por onde andas? Adivinho que estás triste e sei que não és feliz!
Sei, desse saber feito de te conhecer, dessa certeza do teu caminho dificil, da tua escolha obcecada, do teu querer não querer.
E fico triste também e também sou infeliz.
Vi-te chorar e não chorei. Todas as minhas lagrimas se esgotaram nas tuas mentiras, mas as tuas doem-me mais ainda por sabê-las verdadeiras, por não poder bebê-las e matar a sede que tenho de ti.
Nesta hora, na pausa da raiva, estendo as minhas asas que esfarrapaste, e tento chegar a ti com o calor de um adejo que te diga: apesar de tudo não estás sozinha, apesar de tudo, mesmo que não saibas, eu continuo aqui, onde sempre estive à tua espera.

sábado, 22 de novembro de 2008

A MEU LADO


Sei que estás a meu lado...
O calor do teu corpo rompe a frigidez do ar que me rodeia
A tua voz chega-me nas palavras veladas do desconsolo
O meu olhar encontra-te nas sombras que recortam o teu corpo.
Sei que estás a meu lado
Estendo as mãos ansiosas e nada encontro em que tocar
Abro o coração e nenhum gesto resta a embalar o meu sonho
Atentamente escuto e a tempestade é o eco de ti.
Sei que estás ao meu lado... E sei que te perdi.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

PARA TI


Com as palavras a construi e com as mãos a fui tecendo. Com fios de seda das cores do arco íris a fiz bela. Não era um laço, não a criei pra te prender. Era um colar de Deusa que te dava julgando dar-te um tesouro feito de mim. Com a soberba de uma mariposa a usaste. Com o desprezo de uma fénix a queimaste. Ficou-me tatuada dentro da carne, a sangue e fogo. E por não se ver ninguém a sabe e tu já a esqueceste.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


Não é o meu olhar encantado que arde na chama viva
Não são os meus olhos imortais que a cinza fará chorar!

Serão as tuas lágrimas de orgulho que apagarão o fogo
Serão os teus olhos cegos que o mundo verá vazios!

Nessa hora, as minhas asas cansadas estarão prontas
A voar sobre os teus restos amortalhados em nostalgia!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

RESTEA


Há uma réstea de céu azul por entre as nuvens negras que me atormentam, uma nesga de esperança abençoada, um quase nada de certeza nesta angústia!
Não, não é beleza, não é regresso, não é consolo!
É oração escondida no fundo do coração. É mão erguida ao céu em agonia.
Um dia o céu vai amanhecer azul e luminoso, as nuvens vão ser brancas e leves, a luz vai invadir o meu quarto, o sol vai beijar sem medo o meu corpo...
Então eu saberei que o teu sonho passou ao meu lado e não ficou.
Poderei abrir as mãos cerradas e receber o toque das quimeras, descerrar os olhos e ver todas as faces, que hoje têm sempre o teu perfil, molhar nos lábios um sorriso terno e doce e dizer a quem passa que estive morta...e não morri!
Até lá...cada dia é a violência de viver que me consome!

domingo, 2 de novembro de 2008

UM RUMO



Sei das canções que o vento canta no longe das manhãs que conheci
Das noites poderosas relembro o sussurro breve dos teus lábios
No meu corpo grita-se hoje um lusco-fusco de prazeres adiados
Mas este rio já não tem margens nem a minha alma tem fronteiras.

Na barca cega destes dias embrulho-me no xaile do tempo e parto
Já não procuro saber para onde vou e sigo inerte o rumo da corrente
Há no horizonte tanto dia por nascer e o sol recusa-se a surgir
E nesta eterna madrugada já a minha voz se cansou de chamar por ti.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ESPERO


Teço com os dedos gelados um manto de seda para te cobrir
Das cores que o meu coração veste por ti.
Sei de cor os pontos com que a agulha borda o teu nome
E deixo-te uma gota de sangue em cada um.
Será um dia a mortalha do que sinto e arde e dói em mim
Como os olhos cegos de te procurar no horizonte.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

ESTOU AQUI


Sei que estás em mim porque todo o meu corpo está tatuado dos teus gestos
Sei que estás em mim porque uma rosa de sangue continua na minha mão
Sei que estás em mim porque dos meus olhos ainda escorrem lágrimas negras!

Quem dera te esquecesse e não passasses de uma memória suportável
Quem dera este desejo de te ter nas minhas mãos fosse apenas medo do vazio
Quem dera as lágrimas que choro não passassem de reflexo de estar só!

Mas sei que é por ti que choro, e que é por ti que espero desesperada
Mas sei que que mil vidas que viver te lembrarei, mesmo que sejas mentira
Mas sei que nesta hora não há vinho , não há sono, que te afaste de mim!

Não digas mais nada, cala, esquece, foge, deixa que te perca de vez
Não faças da ausência que quiseste uma razão que desconheces
Não teimes em me prender em laços escusos...não estares aqui é o bastante!


domingo, 19 de outubro de 2008

RESTOS


Deixaste uns restos...coisas poucas...lembranças descarnadas... ideias soltas
Com ela fiz um fogo que quero lento...
Quero-o bem lento sob o caldeirão das esperanças...
Enchi-o dos meus restos que não levaste... um olhar louco... mãos vazias... coisas mortas
Despi as minhas vestes de princesa, que as tuas mãos teceram para mim
Vesti-me de fumaça e solidão... de sombras que deixaste pelos cantos...
Descalça olho sem ver ... o futuro... o desígnio ... o saber
Que me amortalhaste em vida com o engano de te teres enganado.

sábado, 18 de outubro de 2008

LOBA



Em noites de lua cheira quando os uivos ecoam na floresta prateada...sou eu...loba de mim.
Sou eu que me devoro lentamente em lembranças de outras eras...
E eu que me lamento de mim...
E me digo em altos uivos o que o sol me impede de dizer durante o dia...
Por ti ergo o grito que me revela e amedronta
Por ti me arrasto de colina em colina
E a lua por testemunha chora comigo até ser manhã...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

DESERTO


Secaram os rios dentro de mim, a fonte das lágrimas secou também.
Neste deserto de estar viva, é miragem a frescura de estar bem.
Ao colo te levei pelos caminhos dolorosos, e nos lábios os meus beijos
Eram as gotas de água que que não tinha para te dar.
As minhas velhas mãos eram a sombra que os teus olhos ansiavam
E nos meus braços enterravas as mágoas que ninguém queria.
Hoje... Os teus rios correm cheios do mel que te oferecem
E de braços abertos acolhes o oásis onde te levam a beber
Da água cristalina que eu não soube encontrar!

domingo, 12 de outubro de 2008

MISTICAS




Rosas misticas me sobraram das tuas mãos de cera.

Rosas brancas que guardei e o tempo amareleceu.


Quando voltares, uma rosa branca entre os teus dedos.

Dirá que não esqueceste o jardim que já foi nosso.




segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O PARQUE DAS FADAS


Nestas raízes centenárias
Sei o que escondi sem tu saberes
Sei do teu sorriso atormentado
Sei do meu olhar que eu quis cego
Nessas raízes centenárias
Enterrei a minha alma aflita
Enterrei o meu choro de medo
Enterrei o teu medo de chorar
Nestas raízes centenárias
Espero esquecer o que tu foste
Espero a lembrança de ter sido
Espero o resgate da tristeza

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

JUNTO AO LAGO


Levava-te pela mão, criança louca, pelos recantos mais secretos do meu reino. Mostrei-te onde nascia o rio da ternura, dei-te a beber da água pura do carinho, no lago do amor lavei-te o rosto.
Pelo teu corpo espalhei essência de violetas que eu própria macerei. As minhas mãos na tua pele foram asas de borboleta.
Na tua boca pinguei gotas de vinho de cerejas que colhi para te agradar. Por ti se fizeram doces as laranjas e as flores desabrochavam sob os nossos passos.

Rainha, dei-te o meu reino por um sorriso.
Hoje olho a minha mão vazia. Chamo por ti.
E é a sombra de fantasmas que me toca... e grita o meu nome em gargalhadas
Junto ao lago onde te perdi!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

PORQUE NÃO?

Virar as costas à vida. Esquecer.
Fitar nas águas frias os olhos baços
Acreditar na verdade da mentira
E sorrir para mim assim quieta.
Tão fácil fingir que ainda aí estás
Que sou eu que distraída não te vejo
Ouvir mesmo os teus passos a chegar
E os teus braços enlaçar-me como dantes.
Porque não?
Se as minhas asas brancas se perderam
E não voo já nos nossos sonhos!!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

ESPELHO


Olho-me ao espelho e não me encontro.
Sei que me perdi de mim na noite escura.
Nas mãos seguro um ramo de flores mortas
E aos pés um rio de sangue é o meu rasto.


domingo, 28 de setembro de 2008

AS ASAS QUE ME DESTE


As asas que eu tinha, eram para corre para ti quando choravas
Hoje jazem pelo chão,já não precisas delas para te consolar.
E eu que voei perdidamente entre o teu desejo e o meu querer
Sou hoje um molhe abandonado num porto que já não é abrigo!


sábado, 27 de setembro de 2008

ASAS VELHAS


As minhas asas velhas já não me sustentam
Sinto que se soltam mais e mais de mim
Repousam-me apenas junto ao corpo.

Nasceram pela magia do teu olhar que me queria
Pena a pena se formaram para chegar a ti
Caem agora do horror de te perder.

Adormeci. Finalmente. E não sonhei.

Se já nem acordada sonho
Que não é verdade!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

RODA DE FADAS


A noite cai.
Aproveitemos o pôr-do-sol, que no escuro já só brilham as nossas penas desvanescidas.
Venham irmãs.
Que as nossas mãos se juntem, e dancemos até amanhecer, o feitiço de esquecer.
Tu Dor, agarra a minha mão esquerda, a do coração.
Tu Amor, à minha mão direita, a da dádiva.
Tu Desespera junta-te à Dor, a Ilusão se juntará ao Amor.
Tu Sonho une a Ilusão e o Desespero.
Assim unidas.
Formaremos o anel mágico da Vida que flui em agonia sob a mancha das estrelas acendidas.
Venham irmãs.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

NAS TUAS MÃOS



Nas tuas mãos deixei o meu toque de cristal

O brilho que as cobre dei-to eu

É o legado que te faço do meu dom

Que jamais alguém há-de apagar

Todas as mãos que agora tocares

Vão sentir o frio da dor que me deixaste

É a tua herança eterna

Nesta e em cada vida que virá.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

E DA MUSICA SE FEZ AUSÊNCIA


Perdi-me de amores por ti
Julguei as tuas asas de borboleta como as minhas
E os voos que fizemos juntas pareciam levar-nos
Bailando etéreas o mesmo caminho.
Pra ti toquei encantadoras melodias
Na minha harpa de teias de aranhas sábias
E doces canções magicas te embalaram
O sono no sonho que querias nosso.
Não sabia que as borboletas
São asas sem poiso certo, nem flor favorita
E quando parecem ainda voar connosco
Estão já de partida pra outro sonho.
Por isso vesti-me de negro
Calei a voz dormente e a harpa inútil
Se passares por aqui outra vez, pedirei à noite
Que esconda os meus olhos dos teus.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

SONHEI CONTIGO



Esta noite sonhei contigo. Sonhei...ou talvez acordada te fiz uma visita!

Deixei que o meu coração chorasse e as lagrimas te afagassem

Como as minhas mãos faziam ao teu corpo perfeito.

Os meus labios salgados beijaram-te os olhos fechados

Perdidos em devaneios que não quis adivinhar.

Com as minhas asas te cobri num doloroso gesto protector

Sabendo que de manhã...não seriam elas a quem sorririas.

Esta noite sonhei contigo...

Agora acordada sei que não fui eu

Foi um anjo que te enviei!

DE NEGRO


Sem cor
Que a cor me roubaste num gesto demente
A veste da cor do coração que me levaste
Já as asas me vão caindo cor de cinza
As lagrimas roxas marcam no meu rosto
Os traços que não vais reconhecer
Anjo negro me quedo na saudade
Sem cor

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

SIMBOLOS



Carrego, hoje, todos os símbolos, que me deixaste.
Os anéis de todos os compromissos.
Os búzios que apanhámos na maré baixa.
O âmbar e a madre-pérola que me colocaste ao pescoço.
Os alfinetes com que prendeste a mim o que não querias de ti.
Os perfumes que me deixaste nas mãos.
As penas que me caíram na alma e enlacei nos cabelos.
A borboleta do teu amor peregrino.
Sinto-me assim enfeitada para a morte.
E assim quero ser enterrada...
Fada criança da magia que perdi!

sábado, 13 de setembro de 2008

SE O LUAR


Se o luar me cegasse como os teus olhos fizeram...
Porque me olhas-te um dia com olhos de ver por dentro
E me disseste com eles o que a boca não dizia
Me nasceram asas de espanto onde antes nada havia.
Pena a pena as fui perdendo nas tuas palavras de vento
Guardo-as nas mãos cerradas à espera da calmaria
De poder lançá-las na terra e esqueçar porque as queria.
Se o luar me cegasse como os teus olhos fizeram...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

ENCANTO


Caminho entre luz e sombras, Alma como que encantada.
Nos braços da luz, danço no ar, etéreamente.
Nas garras da sombra me afundo em folhas mortas.
Sou toda olhos cegos de te buscar, no perfil das árvores despidas.
E das mãos caem-me os dedos afiados de arranhar a terra que te cobre.
Não sei se és tu que vejo, como Ofélia, sonhando a tua tumba de água viva
Não sei se são as tuas mentiras, as palavras que o vento me conta por ti.
Se te procuro, é o lodo que eu encontro
Se te recordo é a farsa que descubro
Se, encantada, acredito ainda em teu lamento
Desfaz-se a neblina e o teu rasto definido
Pára à mesma porta de sempre: A ilusão.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O CAMINHO


Para Avalon, a minha lenda perdida, te levarei um dia.
O manto velando o teu sono perfeito na travesia do lago.
Enterrarrás nas águas sagradas a tua espada de dor.
E no meu corpo repousarás para sempre.
Irmã...Amiga...Amante...
Sou Morgana
Já não Deusa...
Nem sei se Fada!
Sou o espectro das ilusões de outrora
Na noite que se adensa à minha volta.
A minha voz rouca já não a ouvem os barqueiros!
Os meus braços erguidos já não dissipam a bruma!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ÁGUA


Saudades do teu corpo dentro da água fria do mar quando me enlaçavas ternamente como se o toda tu fosses feita de algas e estrelas do mar.
Saudades de te imaginar uma sereia tentando levar-me contigo para um mundo de silêncio e ondulações suaves, onde vogaríamos eternamente enroscadas.
Saudades do cheiro a maresia nos teus cabelos, do sabor a sal na tua pele, de ouvir "amo-te" no calor das tuas mãos.

Não quero nadar na água escura.
Não quero o sol que me fustiga.
Não quero o sal que me queima.

Não quero a tua ausência!

NOITE


O pior das noites é que são tão longas...
Assim, por vezes, recolho as asas, sento-me no chão húmido da floresta e deixo que a lua converse comigo. Tem tantas coisas para me contar...tantas coisas para me lembrar!
E sempre, de mansinho, começa: lembras-te?
E eu lembro
Os voos desesperados atrás de um ser perdido na noite das coisas proibidas
Das mãos doridas de segurar outras mãos para que não se fizessem mal a si próprias
Os abraços apertados para que um corpo não se despedaçasse no vazio
Das gargalhadas partilhadas com a mulher mais insustentável que encontrei
E as lágrimas, nessas noites, pingam cristais que reflectem o luar a dizer que sim, que me lembro.
E não lamento nada.
Só que as noites são muito longas e às vezes é lua nova!

domingo, 7 de setembro de 2008

EM BUSCA DA LUZ


Morgana a Fada...A Feiticeira?...A Última Senhora do Lago?...A Sacerdotisa de Avalon?

Morgana...irmã...amiga...amante...do último Rei de um Mundo perdido?

Ontem eu era isto: irmã, amiga, amante...de uma Rainha que se perdeu a caminho de uma ilha que jamais se revelará na bruma de um lago de águas escuras e doentias que não conduz a Avalon.

A Luz não brilha nas mentes doentes que vivem no lado das trevas...

A Luz precisa de verdade e de Amor para brilhar

Quando as trevas nos cercam basta um apelo e as fadas a nosso lado abrem as asas brancas e reflectem a Luz para que possamos ver o caminho que conduz à plenitude iluminada dos corações que nos rodeiam e nos amam.

sábado, 6 de setembro de 2008

ATRÁS DA MÁSCARA



Habita em nós, para lá da máscara, para além do que todos vêem, o lado escuro ou luminoso, que só mostramos nas horas de grande dor ou grande felicidade!
Existe para lá da lágrima ou do sorriso a força poderosa que nos torna capazes de continuar sorrindo a chorar e de seguir chorando com um sorriso.
Do fundo dos tempos nos vem a certeza de não estarmos sós neste pequeno mundo, num Universo imenso. De, a nosso lado, a luz, num adejar de asas imperceptível nos acalentar a esperança, nos fazer acreditar em dias mais
fáceis, em amores mais perfeitos, em vidas para além da vida.
E se somos alguns dias apenas órbitas vazias foi porque nos arrancaram os olhos e junto levaram a alma que os habita. Ficou o vácuo! É quando pequenos dedos que mal sentimos nos puxam devagarinho pela mão e nos levam ao país dos sonhos, onde tudo é possível, onde a hipocrisia dos seres escuros não nos atinge, onde a claridade dos que nos rodeiam, por bem, se torna mais luminosa e descobrimos que o erro é nosso, é sempre nosso...porque queremos ver para além do visível e nos vemos apenas a nós próprios reflectidos num espelho que se reflecte a si próprio infinitamente.