terça-feira, 30 de setembro de 2008

ESPELHO


Olho-me ao espelho e não me encontro.
Sei que me perdi de mim na noite escura.
Nas mãos seguro um ramo de flores mortas
E aos pés um rio de sangue é o meu rasto.


domingo, 28 de setembro de 2008

AS ASAS QUE ME DESTE


As asas que eu tinha, eram para corre para ti quando choravas
Hoje jazem pelo chão,já não precisas delas para te consolar.
E eu que voei perdidamente entre o teu desejo e o meu querer
Sou hoje um molhe abandonado num porto que já não é abrigo!


sábado, 27 de setembro de 2008

ASAS VELHAS


As minhas asas velhas já não me sustentam
Sinto que se soltam mais e mais de mim
Repousam-me apenas junto ao corpo.

Nasceram pela magia do teu olhar que me queria
Pena a pena se formaram para chegar a ti
Caem agora do horror de te perder.

Adormeci. Finalmente. E não sonhei.

Se já nem acordada sonho
Que não é verdade!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

RODA DE FADAS


A noite cai.
Aproveitemos o pôr-do-sol, que no escuro já só brilham as nossas penas desvanescidas.
Venham irmãs.
Que as nossas mãos se juntem, e dancemos até amanhecer, o feitiço de esquecer.
Tu Dor, agarra a minha mão esquerda, a do coração.
Tu Amor, à minha mão direita, a da dádiva.
Tu Desespera junta-te à Dor, a Ilusão se juntará ao Amor.
Tu Sonho une a Ilusão e o Desespero.
Assim unidas.
Formaremos o anel mágico da Vida que flui em agonia sob a mancha das estrelas acendidas.
Venham irmãs.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

NAS TUAS MÃOS



Nas tuas mãos deixei o meu toque de cristal

O brilho que as cobre dei-to eu

É o legado que te faço do meu dom

Que jamais alguém há-de apagar

Todas as mãos que agora tocares

Vão sentir o frio da dor que me deixaste

É a tua herança eterna

Nesta e em cada vida que virá.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

E DA MUSICA SE FEZ AUSÊNCIA


Perdi-me de amores por ti
Julguei as tuas asas de borboleta como as minhas
E os voos que fizemos juntas pareciam levar-nos
Bailando etéreas o mesmo caminho.
Pra ti toquei encantadoras melodias
Na minha harpa de teias de aranhas sábias
E doces canções magicas te embalaram
O sono no sonho que querias nosso.
Não sabia que as borboletas
São asas sem poiso certo, nem flor favorita
E quando parecem ainda voar connosco
Estão já de partida pra outro sonho.
Por isso vesti-me de negro
Calei a voz dormente e a harpa inútil
Se passares por aqui outra vez, pedirei à noite
Que esconda os meus olhos dos teus.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

SONHEI CONTIGO



Esta noite sonhei contigo. Sonhei...ou talvez acordada te fiz uma visita!

Deixei que o meu coração chorasse e as lagrimas te afagassem

Como as minhas mãos faziam ao teu corpo perfeito.

Os meus labios salgados beijaram-te os olhos fechados

Perdidos em devaneios que não quis adivinhar.

Com as minhas asas te cobri num doloroso gesto protector

Sabendo que de manhã...não seriam elas a quem sorririas.

Esta noite sonhei contigo...

Agora acordada sei que não fui eu

Foi um anjo que te enviei!

DE NEGRO


Sem cor
Que a cor me roubaste num gesto demente
A veste da cor do coração que me levaste
Já as asas me vão caindo cor de cinza
As lagrimas roxas marcam no meu rosto
Os traços que não vais reconhecer
Anjo negro me quedo na saudade
Sem cor

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

SIMBOLOS



Carrego, hoje, todos os símbolos, que me deixaste.
Os anéis de todos os compromissos.
Os búzios que apanhámos na maré baixa.
O âmbar e a madre-pérola que me colocaste ao pescoço.
Os alfinetes com que prendeste a mim o que não querias de ti.
Os perfumes que me deixaste nas mãos.
As penas que me caíram na alma e enlacei nos cabelos.
A borboleta do teu amor peregrino.
Sinto-me assim enfeitada para a morte.
E assim quero ser enterrada...
Fada criança da magia que perdi!

sábado, 13 de setembro de 2008

SE O LUAR


Se o luar me cegasse como os teus olhos fizeram...
Porque me olhas-te um dia com olhos de ver por dentro
E me disseste com eles o que a boca não dizia
Me nasceram asas de espanto onde antes nada havia.
Pena a pena as fui perdendo nas tuas palavras de vento
Guardo-as nas mãos cerradas à espera da calmaria
De poder lançá-las na terra e esqueçar porque as queria.
Se o luar me cegasse como os teus olhos fizeram...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

ENCANTO


Caminho entre luz e sombras, Alma como que encantada.
Nos braços da luz, danço no ar, etéreamente.
Nas garras da sombra me afundo em folhas mortas.
Sou toda olhos cegos de te buscar, no perfil das árvores despidas.
E das mãos caem-me os dedos afiados de arranhar a terra que te cobre.
Não sei se és tu que vejo, como Ofélia, sonhando a tua tumba de água viva
Não sei se são as tuas mentiras, as palavras que o vento me conta por ti.
Se te procuro, é o lodo que eu encontro
Se te recordo é a farsa que descubro
Se, encantada, acredito ainda em teu lamento
Desfaz-se a neblina e o teu rasto definido
Pára à mesma porta de sempre: A ilusão.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O CAMINHO


Para Avalon, a minha lenda perdida, te levarei um dia.
O manto velando o teu sono perfeito na travesia do lago.
Enterrarrás nas águas sagradas a tua espada de dor.
E no meu corpo repousarás para sempre.
Irmã...Amiga...Amante...
Sou Morgana
Já não Deusa...
Nem sei se Fada!
Sou o espectro das ilusões de outrora
Na noite que se adensa à minha volta.
A minha voz rouca já não a ouvem os barqueiros!
Os meus braços erguidos já não dissipam a bruma!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ÁGUA


Saudades do teu corpo dentro da água fria do mar quando me enlaçavas ternamente como se o toda tu fosses feita de algas e estrelas do mar.
Saudades de te imaginar uma sereia tentando levar-me contigo para um mundo de silêncio e ondulações suaves, onde vogaríamos eternamente enroscadas.
Saudades do cheiro a maresia nos teus cabelos, do sabor a sal na tua pele, de ouvir "amo-te" no calor das tuas mãos.

Não quero nadar na água escura.
Não quero o sol que me fustiga.
Não quero o sal que me queima.

Não quero a tua ausência!

NOITE


O pior das noites é que são tão longas...
Assim, por vezes, recolho as asas, sento-me no chão húmido da floresta e deixo que a lua converse comigo. Tem tantas coisas para me contar...tantas coisas para me lembrar!
E sempre, de mansinho, começa: lembras-te?
E eu lembro
Os voos desesperados atrás de um ser perdido na noite das coisas proibidas
Das mãos doridas de segurar outras mãos para que não se fizessem mal a si próprias
Os abraços apertados para que um corpo não se despedaçasse no vazio
Das gargalhadas partilhadas com a mulher mais insustentável que encontrei
E as lágrimas, nessas noites, pingam cristais que reflectem o luar a dizer que sim, que me lembro.
E não lamento nada.
Só que as noites são muito longas e às vezes é lua nova!

domingo, 7 de setembro de 2008

EM BUSCA DA LUZ


Morgana a Fada...A Feiticeira?...A Última Senhora do Lago?...A Sacerdotisa de Avalon?

Morgana...irmã...amiga...amante...do último Rei de um Mundo perdido?

Ontem eu era isto: irmã, amiga, amante...de uma Rainha que se perdeu a caminho de uma ilha que jamais se revelará na bruma de um lago de águas escuras e doentias que não conduz a Avalon.

A Luz não brilha nas mentes doentes que vivem no lado das trevas...

A Luz precisa de verdade e de Amor para brilhar

Quando as trevas nos cercam basta um apelo e as fadas a nosso lado abrem as asas brancas e reflectem a Luz para que possamos ver o caminho que conduz à plenitude iluminada dos corações que nos rodeiam e nos amam.

sábado, 6 de setembro de 2008

ATRÁS DA MÁSCARA



Habita em nós, para lá da máscara, para além do que todos vêem, o lado escuro ou luminoso, que só mostramos nas horas de grande dor ou grande felicidade!
Existe para lá da lágrima ou do sorriso a força poderosa que nos torna capazes de continuar sorrindo a chorar e de seguir chorando com um sorriso.
Do fundo dos tempos nos vem a certeza de não estarmos sós neste pequeno mundo, num Universo imenso. De, a nosso lado, a luz, num adejar de asas imperceptível nos acalentar a esperança, nos fazer acreditar em dias mais
fáceis, em amores mais perfeitos, em vidas para além da vida.
E se somos alguns dias apenas órbitas vazias foi porque nos arrancaram os olhos e junto levaram a alma que os habita. Ficou o vácuo! É quando pequenos dedos que mal sentimos nos puxam devagarinho pela mão e nos levam ao país dos sonhos, onde tudo é possível, onde a hipocrisia dos seres escuros não nos atinge, onde a claridade dos que nos rodeiam, por bem, se torna mais luminosa e descobrimos que o erro é nosso, é sempre nosso...porque queremos ver para além do visível e nos vemos apenas a nós próprios reflectidos num espelho que se reflecte a si próprio infinitamente.