sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ESPERO


Teço com os dedos gelados um manto de seda para te cobrir
Das cores que o meu coração veste por ti.
Sei de cor os pontos com que a agulha borda o teu nome
E deixo-te uma gota de sangue em cada um.
Será um dia a mortalha do que sinto e arde e dói em mim
Como os olhos cegos de te procurar no horizonte.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

ESTOU AQUI


Sei que estás em mim porque todo o meu corpo está tatuado dos teus gestos
Sei que estás em mim porque uma rosa de sangue continua na minha mão
Sei que estás em mim porque dos meus olhos ainda escorrem lágrimas negras!

Quem dera te esquecesse e não passasses de uma memória suportável
Quem dera este desejo de te ter nas minhas mãos fosse apenas medo do vazio
Quem dera as lágrimas que choro não passassem de reflexo de estar só!

Mas sei que é por ti que choro, e que é por ti que espero desesperada
Mas sei que que mil vidas que viver te lembrarei, mesmo que sejas mentira
Mas sei que nesta hora não há vinho , não há sono, que te afaste de mim!

Não digas mais nada, cala, esquece, foge, deixa que te perca de vez
Não faças da ausência que quiseste uma razão que desconheces
Não teimes em me prender em laços escusos...não estares aqui é o bastante!


domingo, 19 de outubro de 2008

RESTOS


Deixaste uns restos...coisas poucas...lembranças descarnadas... ideias soltas
Com ela fiz um fogo que quero lento...
Quero-o bem lento sob o caldeirão das esperanças...
Enchi-o dos meus restos que não levaste... um olhar louco... mãos vazias... coisas mortas
Despi as minhas vestes de princesa, que as tuas mãos teceram para mim
Vesti-me de fumaça e solidão... de sombras que deixaste pelos cantos...
Descalça olho sem ver ... o futuro... o desígnio ... o saber
Que me amortalhaste em vida com o engano de te teres enganado.

sábado, 18 de outubro de 2008

LOBA



Em noites de lua cheira quando os uivos ecoam na floresta prateada...sou eu...loba de mim.
Sou eu que me devoro lentamente em lembranças de outras eras...
E eu que me lamento de mim...
E me digo em altos uivos o que o sol me impede de dizer durante o dia...
Por ti ergo o grito que me revela e amedronta
Por ti me arrasto de colina em colina
E a lua por testemunha chora comigo até ser manhã...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

DESERTO


Secaram os rios dentro de mim, a fonte das lágrimas secou também.
Neste deserto de estar viva, é miragem a frescura de estar bem.
Ao colo te levei pelos caminhos dolorosos, e nos lábios os meus beijos
Eram as gotas de água que que não tinha para te dar.
As minhas velhas mãos eram a sombra que os teus olhos ansiavam
E nos meus braços enterravas as mágoas que ninguém queria.
Hoje... Os teus rios correm cheios do mel que te oferecem
E de braços abertos acolhes o oásis onde te levam a beber
Da água cristalina que eu não soube encontrar!

domingo, 12 de outubro de 2008

MISTICAS




Rosas misticas me sobraram das tuas mãos de cera.

Rosas brancas que guardei e o tempo amareleceu.


Quando voltares, uma rosa branca entre os teus dedos.

Dirá que não esqueceste o jardim que já foi nosso.




segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O PARQUE DAS FADAS


Nestas raízes centenárias
Sei o que escondi sem tu saberes
Sei do teu sorriso atormentado
Sei do meu olhar que eu quis cego
Nessas raízes centenárias
Enterrei a minha alma aflita
Enterrei o meu choro de medo
Enterrei o teu medo de chorar
Nestas raízes centenárias
Espero esquecer o que tu foste
Espero a lembrança de ter sido
Espero o resgate da tristeza

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

JUNTO AO LAGO


Levava-te pela mão, criança louca, pelos recantos mais secretos do meu reino. Mostrei-te onde nascia o rio da ternura, dei-te a beber da água pura do carinho, no lago do amor lavei-te o rosto.
Pelo teu corpo espalhei essência de violetas que eu própria macerei. As minhas mãos na tua pele foram asas de borboleta.
Na tua boca pinguei gotas de vinho de cerejas que colhi para te agradar. Por ti se fizeram doces as laranjas e as flores desabrochavam sob os nossos passos.

Rainha, dei-te o meu reino por um sorriso.
Hoje olho a minha mão vazia. Chamo por ti.
E é a sombra de fantasmas que me toca... e grita o meu nome em gargalhadas
Junto ao lago onde te perdi!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

PORQUE NÃO?

Virar as costas à vida. Esquecer.
Fitar nas águas frias os olhos baços
Acreditar na verdade da mentira
E sorrir para mim assim quieta.
Tão fácil fingir que ainda aí estás
Que sou eu que distraída não te vejo
Ouvir mesmo os teus passos a chegar
E os teus braços enlaçar-me como dantes.
Porque não?
Se as minhas asas brancas se perderam
E não voo já nos nossos sonhos!!