sexta-feira, 28 de novembro de 2008

BLUE ICE


Queria a musica que ouviamos juntas, queria poder ouvi-la, senti-la de novo, mas não posso.
A musica é uma chicotada na verdade que eu gostava que tivesse sido.
Cada som da melodia é golpe de navalha, e o ritmo bate-me nas veias até à dor.
Por isso o silêncio me rodeia e só o silêncio me acalma e me dá à alma o gelo de não lembrar.
Onde estás tu? Por onde andas? Adivinho que estás triste e sei que não és feliz!
Sei, desse saber feito de te conhecer, dessa certeza do teu caminho dificil, da tua escolha obcecada, do teu querer não querer.
E fico triste também e também sou infeliz.
Vi-te chorar e não chorei. Todas as minhas lagrimas se esgotaram nas tuas mentiras, mas as tuas doem-me mais ainda por sabê-las verdadeiras, por não poder bebê-las e matar a sede que tenho de ti.
Nesta hora, na pausa da raiva, estendo as minhas asas que esfarrapaste, e tento chegar a ti com o calor de um adejo que te diga: apesar de tudo não estás sozinha, apesar de tudo, mesmo que não saibas, eu continuo aqui, onde sempre estive à tua espera.

sábado, 22 de novembro de 2008

A MEU LADO


Sei que estás a meu lado...
O calor do teu corpo rompe a frigidez do ar que me rodeia
A tua voz chega-me nas palavras veladas do desconsolo
O meu olhar encontra-te nas sombras que recortam o teu corpo.
Sei que estás a meu lado
Estendo as mãos ansiosas e nada encontro em que tocar
Abro o coração e nenhum gesto resta a embalar o meu sonho
Atentamente escuto e a tempestade é o eco de ti.
Sei que estás ao meu lado... E sei que te perdi.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

PARA TI


Com as palavras a construi e com as mãos a fui tecendo. Com fios de seda das cores do arco íris a fiz bela. Não era um laço, não a criei pra te prender. Era um colar de Deusa que te dava julgando dar-te um tesouro feito de mim. Com a soberba de uma mariposa a usaste. Com o desprezo de uma fénix a queimaste. Ficou-me tatuada dentro da carne, a sangue e fogo. E por não se ver ninguém a sabe e tu já a esqueceste.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


Não é o meu olhar encantado que arde na chama viva
Não são os meus olhos imortais que a cinza fará chorar!

Serão as tuas lágrimas de orgulho que apagarão o fogo
Serão os teus olhos cegos que o mundo verá vazios!

Nessa hora, as minhas asas cansadas estarão prontas
A voar sobre os teus restos amortalhados em nostalgia!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

RESTEA


Há uma réstea de céu azul por entre as nuvens negras que me atormentam, uma nesga de esperança abençoada, um quase nada de certeza nesta angústia!
Não, não é beleza, não é regresso, não é consolo!
É oração escondida no fundo do coração. É mão erguida ao céu em agonia.
Um dia o céu vai amanhecer azul e luminoso, as nuvens vão ser brancas e leves, a luz vai invadir o meu quarto, o sol vai beijar sem medo o meu corpo...
Então eu saberei que o teu sonho passou ao meu lado e não ficou.
Poderei abrir as mãos cerradas e receber o toque das quimeras, descerrar os olhos e ver todas as faces, que hoje têm sempre o teu perfil, molhar nos lábios um sorriso terno e doce e dizer a quem passa que estive morta...e não morri!
Até lá...cada dia é a violência de viver que me consome!

domingo, 2 de novembro de 2008

UM RUMO



Sei das canções que o vento canta no longe das manhãs que conheci
Das noites poderosas relembro o sussurro breve dos teus lábios
No meu corpo grita-se hoje um lusco-fusco de prazeres adiados
Mas este rio já não tem margens nem a minha alma tem fronteiras.

Na barca cega destes dias embrulho-me no xaile do tempo e parto
Já não procuro saber para onde vou e sigo inerte o rumo da corrente
Há no horizonte tanto dia por nascer e o sol recusa-se a surgir
E nesta eterna madrugada já a minha voz se cansou de chamar por ti.