domingo, 14 de dezembro de 2008

NOITE DE LUA CHEIA



Quando só a Lua ilumina o caminho, rumamos ao alto do monte, através da floresta de árvores vivas, que murmuram à nossa passagem, num canto baixo e lento, o primeiro encantamento.
As vestes escuras confundem-se com as sombras e quando a Lua rompe a folhagem, brilham apenas rostos e mãos, muito brancos, e as flores que apertamos ao peito têm o vermelho do sangue coalhado.
Um circulo de pedras nos aguarda, como a nave de uma imensa catedral em ruínas. No meio uma fogueira com aromas de sândalo e canela.
Inesperadamente e a uma só voz começam os cânticos, monocórdicos, roucos, encantatórios, enquanto uma dança milenar, que não sabemos como, nos toma o corpo e nos leva de rodopio em rodopio, até ao extase.
As vozes afinam-se, e os pés mal tocam no chão. Caem os mantos, espalham-se as flores e a Lua ilumina os corpos nus. Braços ao alto, mãos erguidas, rostos dando-se à luz, olhos afogados em visões de outras eras, bocas entreabertas gritando palavras que só o nosso coração conhece.
Depois, a musica soprada pela brisa espalha-se de manso, os cantos vão cessando lentamente, as mãos procuram-se, os corpos encontram-se, as bocas unem-se e, sobre o chão sagrado, atapetado de pétalas desfeitas, o murmúrio das carícias enche o tempo.
A Lua fica mais alta, mais distante.
Pouco a pouco, os corpos saciados, erguem-se brilhantes, recobre-se a nudez languidamente.
A madrugada vai espalhando a claridade cinzenta, voltam a soar os cantos, de mãos dadas na penumbra e através do brilho prateado da floresta, refaz-se o trilho de regresso.
Em noites de Lua cheia... nós as mulheres mágicas, Senhoras do sonho e do prazer, sabemos encontrar o rasto do Amor, que nunca morre, porque se renova em cada uma de nós, peregrinas do Caminho.

12 comentários:

kris disse...

serei uma peregrina do caminho?........................

Ana Meca disse...

Kris
Todas nós, mulheres, somos peregrinas do caminho, porque detentoras dos segredos do Amor.
Só nós nos doamos, nos reinventamos, refazendo o caminho com o nosso corpo nu e a alma aberta e capaz de continuar a amar a essência do Amor.
E, algumas de nós, descobriram a melhor forma de amar, amando-se a si mesmas em outra mulher, amando-a como a si mesmas.

Beijos

Ana

Morgana disse...

Kris

Disse a Ana por mim o que ambas pensamos com um só coração.
Uma e outra sabendo que só o amor nos salva da vulgaridade de ser apenas gente.

Beijos
Morg Ana

kris disse...

meninas, fiquei esclarecida :)) excelente definição :)

beijos às duas meninas

Morgana disse...

Kris

Que bom esclarecer alguém com o que apenas se sabve por intuição.

Beijos
Da(s) Menina(s)

kris disse...

:)

Isa Zeta disse...

Gostei.

A parte que mais me tocou foi "A madrugada vai espalhando a claridade cinzenta, voltam a soar os cantos, de mãos dadas na penumbra e através do brilho prateado da floresta, refaz-se o trilho de regresso."

Animada para o Natal?

Estou meio sumida. Tentando colocar os pensamentos, e as leituras dos blogs em dia.

Ana Oliveira disse...

OI Isa
Animada? hum...pouco.

sentidodovoo disse...

Lindo trecho apropriado a uma noite de lua cheia...
Como tão bem disseste "só o amor nos salva da vulgaridade de ser apenas gente".
Gostei e vou voltar para reaprender o caminho.
beijo

Morgana disse...

sentidodovoo

Obrigada pela visita.
Volta sempre, para que a partilha nos possa dar uma perspectiva mais pereita do caminho.

Beijo

simplesmenteeu disse...

Enquanto lá no alto a Lua sorri no seu rosto redondo, nós peregrinas dos caminhos do amor, perscrutamos o silencio e as sombras...
Tentamos encontrar aquele amor único e mágico que se torna música ao primeiro olhar e dança esvoaçante nos nossos sentidos.
Enterramos os pés na areia e nas pedras do caminho, mas continuamos sem cansaço, até que a última força nos abandone...
E esperamos sempre mesmo quando a esperança não passa de um fio tão frágil e fino que passa nos nossos dedos invisível ao nosso olhar.

Um beijo

Morgana disse...

Simplesmenteeu

Somos senhoras da magia...com dedos de luz e corpo de brisa, e dan;amos errantes pelos caminhos, em busca da teia onde se prenderao as nossas asas frageis...

Beijos

Ana