quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

GUARDIÃ


"Um passo. Um curto passo. E basta abrir as asas.
Guardiã do dia. Senhora da noite. Não pares de sonhar.
É no teu sonho que acordo, me elevo, cresço e me perco.
De mim arranco e pele real da mágoa e da pena.
Contigo me cubro do brilho perfeito da água e do vento."
"Sim, respondeu a Senhora, sim.
Abro contigo as minhas asas e voaremos juntas.
Na noite sem lua, a caminho das estrelas.
Voltaremos ao primeiro raio da manhã.
Ao amanhã em que seremos fogo da mesma chama."

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

NAS ASAS DO SONHO


Sonho
Com as asas que o sonho me deu.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A GRUTA DO LAGO


Segue-me.
Vou levar-te ao fundo de mim. Ao lugar onde me encontro comigo.Às janelas onde o passado se mostra. Às águas onde me renovo. À luz que dá energia.
Subamos aquele carreiro entre árvores. Olha-as de perto. As folhas são pequenos cristais. Escuta com atenção, há uma melodia cristalina que só ouvirás se começares a abrir o coração ao mistério.
Repara que nos aproximamos da entrada de uma gruta, não temas, entra.
Dou-te a mão. Olha as rochas, vês os brilhos? aproxima-te...sim, iluminam o caminho...são como estrelas no céu.
Vamos descer agora, devagar. Demora o olhar a tua volta, as formas, a luz, os reflexos... até as sombras te servirão de memoria...
Porque páras? É lindo eu sei! Sinto sempre o mesmo, quando o caminho se alarga e esta maravilhosa nave se abre, aos olhos subitamente encadeados, pela claridade das colunas, que sobem até se perderem de vista, no tecto de cristal.
Aquela entrada na rocha, do outro lado, junto à parede das janelas, é por onde vamos.
Não, não olhes para lá das janelas! Podes ver-te, e não sei se estás preparada. Um dia quem sabe, viremos para procurares respostas, hoje não!
Temos de passar com cuidado, esta passagem é estreita.
Pára agora, habitua os teus olhos à escuridão. Fixa-te na agua, vê como a cor luminosa se vai cambiando de azuis...
Queres?
Despe-te. O corpo e o coração, nus.
Entremos na agua...eu sei, está fria...mas repara como a sensação de frescura te invade sem te arrefecer, sente a leveza, deixa-te agora flutuar. Imagina que a água que te rodeia, lava o teu corpo, a tua mente, o teu coração e arrasta tudo o que tu não queres sentir.
Vejo que sorris. Ah, vejo que começas a brilhar. Sentes a energia entrando em ti?
Olha à volta para as margens...quantos olhos amorosos nos olham...quantas asas frementes nos dão as boas vindas, quantas mãos nos abençoam!
Sim, já entendeste!
Agora sabes o caminho, mas virei contigo, sempre que quiseres!
Um dia, também tu virás sózinha.
Até lá não olhes nunca pelas janelas do passado!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

SONHO



Veio o sol depois da chuva. A natureza brilha lavada. Lá no alto, por entre as copas o céu é muito azul, safira facetada a reflectir a luz intermitente.

Sinto os teus olhos em mim...estendo a mão e toco a tua mão... a pele macia e seca...os dedos longos e finos...a pressão leve com que dizes: sim estou aqui.

Sei que queres ir, aperto os teus dedos e segues-me, mão na mão, como duas crianças, confiantes e decididas. Hesitas um pouco, insisto.

A pouco e pouco as árvores vão tornando-se maiores, os fetos já nos cobrem os ombros, as violetas, junto ao chão chegam-nos ao joelho.

Olho-te pela primeira vez...sorris, olhando à volta, encantada. Com um gesto recomendo-te o silêncio.

Está mais escuro aqui em baixo, sentamo-nos sobre uma pedra, ainda mão na mão e esperamos.

Devagar pequenas sombras começam a mover-se e a rodear-nos, murmúrios que não entendes ouvem-se à nossa volta, som de asas, brilho de olhos...continuas a sorrir...

Assim ficamos, mão na mão, rodeadas de seres que nunca viste, mas imaginaste sempre que existiam. Contam histórias para tu ouvires, cantam canções em línguas de outras eras, afagam-te os cabelos e a pele tão branca, sorriem para ti, dançam pequenos bailados aéreos e as suas gargalhadas cristalinas soam felizes.

O teu olhar encantado vira-se para mim...vais falar...coloco um dedo sobre os teus lábios...recebo um beijo...entendeste...vieste para ver o meu reino.

Sinto calor no rosto e luz, abro os olhos, é um raio de sol. Olho para o lado, continuas a dormir, a tua mão na minha, e sorris...quando acordares vais contar-me o teu sonho e nem sonharás que foi verdade!