quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A GRUTA DO LAGO


Segue-me.
Vou levar-te ao fundo de mim. Ao lugar onde me encontro comigo.Às janelas onde o passado se mostra. Às águas onde me renovo. À luz que dá energia.
Subamos aquele carreiro entre árvores. Olha-as de perto. As folhas são pequenos cristais. Escuta com atenção, há uma melodia cristalina que só ouvirás se começares a abrir o coração ao mistério.
Repara que nos aproximamos da entrada de uma gruta, não temas, entra.
Dou-te a mão. Olha as rochas, vês os brilhos? aproxima-te...sim, iluminam o caminho...são como estrelas no céu.
Vamos descer agora, devagar. Demora o olhar a tua volta, as formas, a luz, os reflexos... até as sombras te servirão de memoria...
Porque páras? É lindo eu sei! Sinto sempre o mesmo, quando o caminho se alarga e esta maravilhosa nave se abre, aos olhos subitamente encadeados, pela claridade das colunas, que sobem até se perderem de vista, no tecto de cristal.
Aquela entrada na rocha, do outro lado, junto à parede das janelas, é por onde vamos.
Não, não olhes para lá das janelas! Podes ver-te, e não sei se estás preparada. Um dia quem sabe, viremos para procurares respostas, hoje não!
Temos de passar com cuidado, esta passagem é estreita.
Pára agora, habitua os teus olhos à escuridão. Fixa-te na agua, vê como a cor luminosa se vai cambiando de azuis...
Queres?
Despe-te. O corpo e o coração, nus.
Entremos na agua...eu sei, está fria...mas repara como a sensação de frescura te invade sem te arrefecer, sente a leveza, deixa-te agora flutuar. Imagina que a água que te rodeia, lava o teu corpo, a tua mente, o teu coração e arrasta tudo o que tu não queres sentir.
Vejo que sorris. Ah, vejo que começas a brilhar. Sentes a energia entrando em ti?
Olha à volta para as margens...quantos olhos amorosos nos olham...quantas asas frementes nos dão as boas vindas, quantas mãos nos abençoam!
Sim, já entendeste!
Agora sabes o caminho, mas virei contigo, sempre que quiseres!
Um dia, também tu virás sózinha.
Até lá não olhes nunca pelas janelas do passado!

6 comentários:

simplesmenteeu disse...

Talvez, num tempo perdido na memória... eu tenha sonhado um lugar assim...
Uma mão que, prendendo a minha, iluminasse o caminho e me iluminasse...
Lindo o teu texto e a tua gruta... Todas as noites virei, para seguir contigo o caminho das águas e aprender os segredos do coração...
Todas as noites procurarei a tua mão para te abandonar a minha...
Todas as noites pedirei que não me deixes sózinha...

Beijos

Eu tenho Dona .... disse...

Lembranças de dias ermos em minha memoria adormecia ...
Seu relato lembrou me o perfume da grama o calor do sol e o vento tocando minha face ...
Lembraças que acalentam a alma de uma amante do belo...

Obrigada por este sublime regalo.

Morgana disse...

Simplesmenteeu

Todas as noites, sacerdotisa do templo...esperarei...

Beijos

Ana

Morgana disse...

Eu tenho dona

Estas memorias ancestrais permanecem connosco...ate serem lembradas...com saudade.

Beijos

Morgana

kris disse...

O passado é para ser deixado no lugar dele...no passado...e como recordar é viver...não aconselho recordar, pelo menos para já!

Podemos passar pelas janelas do passado e não olhar para elas??

um beijo

Morgana disse...

Kris

Estas janelas são diferentes...e por estas devemos passar, sem olhar, até estarmos preparadas para nos ver,de fora de nós.

Beijos

Morgana